O registo digital de nascimentos e o subsequente registo de utentes do Serviço Nacional de Saúde (SNS)[1] são indicadores úteis da eficiência administrativa e digitalização dos serviços de saúde.
Desde 2016, Portugal tem investido na desmaterialização destes processos, permitindo aos pais realizar o registo diretamente nas maternidades ou online.
Esta análise descreve a evolução mensal e anual desses indicadores, destacando variações sazonais e marcos relevantes no período de 2016 a 2025.
COVID-19
Queda abrupta em 2020: observam-se reduções acentuadas, especialmente no Registo de Nascer de Utente, coincidindo com o impacto da pandemia de COVID-19 — muitas unidades limitaram serviços administrativos e deslocações presenciais.
Variações sazonais
Observa-se uma flutuação mensal suave, com picos regulares nos meses de verão (junho–setembro), consistente com padrões conhecidos de variação na natalidade.
As linhas apresentam correlação clara — quando há mais Notícias de Nascimento Digital, há também mais Registos de Nascer de Utente, embora o segundo tenda a responder com ligeiro atraso.
Diferença entre indicadores
As Notícias de Nascimento Digital permanecem sistematicamente superiores ao Registo de Nascer de Utente, refletindo que nem todos os nascimentos digitalmente noticiados resultam em registo de utente imediato.
Essa diferença, que se mantém estável ao longo do tempo, pode indicar diferenças de sincronização de sistemas ou procedimentos regionais distintos.
A análise demonstra que a digitalização dos registos de nascimento é um processo consolidado, com o impacto da pandemia já superado. O alinhamento crescente entre os dois indicadores reforça a eficiência dos fluxos digitais entre maternidades, conservatórias e o SNS. O acompanhamento contínuo destes dados pode apoiar decisões sobre recursos, interoperabilidade e cobertura digital em saúde pública.